9 de dezembro de 2010

E se...?

Please don't confront me with my failures
I have not forgotten them
-- Jackson Browne

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.
-- Samuel Beckett

Há um mês decidi comprar uma bicicleta. Não tive que escolher entre casar ou fazer esta aquisição, se é isso que você está pensando. Simplesmente comprei uma bicicleta para tornar mais agradáveis e saudáveis os meus deslocamentos mais curtos. Foi uma decisão fácil, ou, como dizem lá fora, um no-brainer.

Nunca falei muito por aqui sobre minha vida profissional (só de brincadeira neste post), porque sempre estive pelo menos moderadamente satisfeito com ela e os meus dramas eram outros. Agora, no entanto, a situação se inverteu.

Há decisões fáceis de se tomar, como comprar uma bicicleta, mas nas decisões importantes sempre me dá uma certa insegurança, principalmente quando eu analiso meu passado e vejo a quantidade de escolhas das quais eu me arrependo, especialmente no âmbito profissional.

Tive a oportunidade de fazer duas faculdades, e nenhuma das duas me deu bases para o que eu pretendo fazer agora, que é abrir meu próprio negócio. Pareciam uma boa idéia na época, claro, porque eu não tinha a menor ideia do que eu queria fazer da minha vida. Para mim o ideal era ter um bom emprego numa boa empresa, porque é essa a tradição na minha família - ou são empregados ou são profissionais liberais. Não cresci pensando em empreendedorismo, convivendo com empreendedores. Mas após trabalhar alguns anos para os outros, percebi que não era isso que eu queria.

Por outro lado, será que se eu tivesse feito um curso, digamos, útil para este momento, eu teria seguido em frente com ele? Será que eu estaria com os mesmos planos que tenho hoje? E se eu tivesse cursado Administração? E Hotelaria? E Gastronomia?

"E se...?", "e se...?", "e se...?". A vida é cheia disso. E se eu gostasse da minha área? E se eu tivesse largado a carreira de RP pra investir na de Cinema? E se meus professores de Administração não tivessem sido os mais picaretas de todo o curso? Nem todo "E se...?" expressa um arrependimento, e nem sempre é um desejo de que as coisas tivessem acontecido de forma diferente. São apenas reflexões sobre o passado, mas de que forma podem ajudar a resolver os problemas do presente e do futuro?

2 de setembro de 2010

Comendo gente

Você deve ter acompanhado a polêmica da última semana sobre o Restaurante Flimé, que fez ampla campanha na mídia alemã anunciando que serviria pratos baseados na cozinha da tribo amazônica wari, conhecida por seus hábitos canibais. Se não acompanhou, leia aqui. No site deles, em que diziam ser filial de um restaurante brasileiro, havia um formulário que os interessados podiam preencher concordando em doar uma parte do seu corpo para o restaurante.

Amigos meus, onívoros, vieram me perguntar o que eu achava disso. É repugnante mas, sinceramente, pelo menos as pessoas cujos membros serão degustados terão concordado com isso e cedido partes de si por livre e espontânea vontade.

Isto é, se esse restaurante fosse mesmo existir. Pois, como já se suspeitava, era um golpe publicitário para chamar a atenção para a organização pró-vegetarianismo alemã Vebu. O argumento deles é de que em todo pedaço de carne existe um pouco da espécie humana. Isto porque, enquanto no mundo 1 bilhão de pessoas passam fome e 1 morre a cada 3 segundos de desnutrição, a maior parte da produção mundial de grãos é destinada à alimentação animal para a indústria de carne. Para produzir 1kg de carne, é preciso dar 16kg de comida. E antes que digam "é capim, nós não queremos capim!", estou falando de ração feita a partir de grãos e de soja. No mínimo, isso é um uso ineficiente de recursos. Eles falam também dos danos ambientais causados por essa indústria, algo que já abordei em outro post.

Outro pedaço da humanidade presente na carne que não foi abordado no posicionamento do Vebu é o impacto psicológico que esta indústria tem sobre as pessoas que trabalham em matadouros. Se você entende bem inglês, recomendo que ouça este podcast da Colleen Patrick-Goudreau sobre a criação de porcos, em que ela fala de uma reportagem investigativa (que virou livro) feita pela jornalista Gail Eisnitz, do Washington Post, em todos os matadouros dos Estados Unidos (em todos, para não dizerem que o que ela viu foram fatos isolados). Esta jornalista registrou entrevistas com os trabalhadores, em que eles próprios falam sobre como ficam dessensibilizados à violência, como esse ciclo de violência faz com que eles tenham comportamentos que eles mesmos reconhecem como abusivos e como essa violência é motivada pelo estresse ao qual eles são submetidos diariamente. E, finalmente, como é comum que este comportamento se reflita nas relações familiares, culminando em casos de alcoolismo e violência doméstica.

(Aliás, se interessar ouça todos os podcasts dela, que são realmente excelentes. Tem um box com o link na barra lateral do blog.)

31 de julho de 2010

Você é amigo de quem?

Fui essa noite ao show de uma banda curitibana, Rosie and Me. Uma amiga minha curte o som deles e perdeu o show que teve ontem no SESC Consolação, então acompanhei-a ao show de hoje que, segundo ela, era "em algum lugar da Vila Madalena".

Um lugar meio secreto. São-Paulo-indie-underground-offstream.

O show não estava anunciado no MySpace da banda, só no Facebook. A lugar onde foi o show estava listado como um dos organizadores do evento, então procurei o endereço. Estava lá, Rua Tal. Coloquei no Google Maps e a rua não existia.

Notem: não veio resultado nenhum, o que provavelmente significa que não existe uma rua com aquele nome em lugar nenhum no planeta.

Dei uma pesquisada no Google e descobri que o endereço estava errado no Facebook, era Rua Etc-e-Tal. Beleza. Essa tem no Google Maps, fica mesmo na Vila Madalena, travessa daquela rua que eu conheço, eu sei chegar lá.

Só que o endereço era Rua Etc-e-Tal s/n. Sem número. Tudo bem, pensei. Chegando lá vamos ver uma porta com alguém na frente, talvez um manobrista, ou pelo menos uma placa escrito: É AQUI.

Não. Chegamos lá e a rua estava deserta. Era uma travessa de um quarteirão, só residências. Todas as portas fechadas. Andamos de uma ponta a outra e eu ouvi uma música. Parecia vir de uma garagem. Fomos em direção a ela e alguém abriu a porta e saiu. Perguntei: "é aí?". Ele respondeu: "é aqui mesmo".

Entramos, pegamos a comanda, tudo ok. Era uma casa de avó convertida em ... nada, era uma casa de avó sem móveis com um espaço para a banda na sala e uma parafernália de som. No quintal, sofás e um bar. A decoração tinha um manequim pintado, uns pôsteres de exposições de design, bandeirolas de festa junina, um quadro enorme com a pintura de uma igreja com patas de vaca (atrás do "palco") e uma placa da Prefeitura dizendo que era proibido jogar lixo e entulho. Acho que posso chamar isso de objet-trouvé.

(A tal placa dizia que os infratores estariam sujeitos a apreensão e multa de R$ 500. Fiquei pensando em como é difícil se desfazer de entulho na cidade de São Paulo, e me pareceu muito conveniente pagar R$ 500 para a Prefeitura apreender o meu lixo.)

Eram duas bandas, na verdade, e o show da primeira, Hidrocor, ainda não havia começado. Porque eles ainda não tinham chegado lá, mas tudo bem.

Todo mundo lá parecia se conhecer. Tinha um careca que era idêntico ao meu professor de História do 3o colegial, um dos melhores professores da minha vida, e se não fosse pela voz eu juraria que era ele mesmo. Até porque era bem a cara dele estar lá naquele lugar. Ele conversava com todo mundo, aliás todo mundo conversava com todo mundo. Ficamos nos sentindo como se tivéssemos entrado de penetra numa festa na casa da avó de alguém.

Eu tinha visto no evento do Facebook que uma antiga colega da ECA estaria lá. Eu não falava muito com ela, nem pensei que ela fosse me reconhecer, mas reconheceu e veio me cumprimentar.

"Oi Toni, há quanto tempo! Nunca te vi aqui... você é amigo de quem?"

Nosso atestado de penetras. Era preciso ser amigo de alguém para estar lá. Tudo indicava que uma pessoa não deveria chegar lá sem conhecer ninguém, mas nós chegamos. E já que estávamos lá, curtimos o show que foi bem legal.

Agora, vocês vão me desculpar, mas acho que não posso revelar o nome do local nem o endereço. Vocês são amigos de quem?

22 de julho de 2010

Dia 15 - Um personagem de filme com o qual eu me identifico

Não é o único.

26 de junho de 2010

Interatividade é isso

Depois de ler os comentários que deixaram no último post, o post da May também sobre solidão e o da Nat em resposta a nós dois, achei necessário escrever de novo.

Porque interatividade é isso.

E porque essa Geladeira tá cheirando a mimimi, e não é por aí.

Como eu disse no comentário que eu deixei para a Nat, o problema não é ficar só, passar um dia sozinho. Isso é ótimo, às vezes necessário, e dependendo do que pretendo fazer, até prefiro. Não conheço ninguém que tenha paciência de ir a um museu comigo, por exemplo; eu posso passar horas lá e odeio que me apressem, então prefiro ir sozinho mesmo.

Mas é melhor quando ficar sozinho é uma das opções, e não a única. E quando essa não é a alternativa mais frequente.

E quando eu falo sobre não estar sozinho, não estou falando de estar com amigos. Amigos são ótimos, mas não bastam.

* * *

E para não dizerem que não ligo para os meus leitores, já que o @alesqui protestou, eu vou retomar o meme de cinema.

Porque interatividade é isso.

19 de junho de 2010

Rouco de tanto silêncio

Esses dias que passo sozinho, em que praticamente só vocalizo as palavras da gentileza (bom dia, com licença, por favor, obrigado), têm em mim um efeito parecido com uma noite no karaokê.

Fico rouco.

A garganta, seca e atrofiada, arranha. Estranha.

Quando finalmente falo, a voz sai fraca, trêmula, grave, insegura, baixa. Eu mesmo não reconheço.

* * *

Esses dias que passo sozinho devem ser a única coisa boa de estar solteiro. Não faço planos, ou se faço, mudo e não preciso convencer ninguém.

Hoje fui ao centro levar a velha câmera do meu pai para consertar. Larguei o carro na estação e fui de metrô, que é bem mais fácil ir para o centro de metrô. Na volta, decidi ir até um laboratório em Pinheiros pra deixar uns rolos, e aproveitaria para conhecer a nova linha amarela.

Mas por enquanto a linha amarela só funciona em dias de semana, então mudei de planos. Desci no MASP e tirei algumas fotos. Deu vontade de entrar, mas passou.

Deu vontade de ir até o SESC Paulista. Fui andando pela Paulista, passei na frente do Centro Cultural Fiesp. Deu vontade de entrar, entrei. Exposição fotográfica da Maureen Bisiliat, inglesa que veio pro Brasil em '57 e nunca mais foi embora. Fotografou os sertões de Euclides da Cunha, o sertão de Guimarães Rosa, o xingu dos Villas Boas, China, Bolívia, Japão.

Havia uma sequência de uma vila de pescadores. Ele teciam suas próprias redes, iam para o mar em seus próprios barcos, pescavam seus próprios peixes. Tão artesanal, equilibrado, inofensivo.

Pensei que se eu estivesse lá, comeria aquele peixe. Mas a última foto era de um golfinho morto, preso naquela rede.

Saí, continuei andando em direção ao SESC, cruzei a Pamplona, lembrei da Goóc e deu vontade de entrar. Estou procurando uma carteira nova, mas você sabe como é difícil achar uma carteira que não seja feita de couro?

Na Goóc tem, mas eu não gostei.

Deu vontade de almoçar. O Cheiro Verde era ali perto. Comi tofu. Era bastante comida mas não pesou nada no estômago. O pudim de laranja vale o retorno.

Voltei a andar, passei na frente de um lugar que eu queria ir há algumas semanas. Por sinal, eu havia me programado para ir hoje, mas esqueci. Olhei no relógio, tinha acabado de fechar.

O bom de ser solteiro é que se você não faz uma coisa que tinha planejado, a única pessoa que você desaponta é você mesmo.

Cheguei ao SESC e estava fechado. Em reforma. O Itaú Cultural, em frente, estava com programação do Sganzerla. Deu vontade de entrar, mas passou.

Passei na frente da Casa das Rosas. Deu vontade de entrar, entrei. Andei pelo jardim, andei pelo terraço, andei pela varanda. Entrei na biblioteca, escolhi um livro e comecei a ler. Grande Sertão, porque a exposição me inspirou. Mas não era o livro certo para ler daquele jeito. Decidi trocar por um livro de contos, fui no Primeiras Histórias, mas ao lado do Rosa estava o Roque. Luiz Roque, e eu achei uma coincidência absurda encontrar um dos livros do meu professor de química do colegial na biblioteca da Casa das Rosas.

Para um químico, uma pessoa das ciências exatas, exímio enxadrista, até que os contos dele são bem fantásticos. Como diz o título do livro, aliás. São minicontos de até uma página e meia, e os que eu li parecem fragmentos de sonhos.


Saí de lá, voltei pro Shopping Metrô Santa Cruz onde eu tinha largado o carro. Do último piso do estacionamento o pôr do sol estava bonito, tirei umas fotos.

Esses dias que passo sozinho devem ser a única coisa boa de estar solteiro. Mas abriria mão deles fácil, fácil.

Não terminei o meme dos filmes, né? Nem vou.

12 de maio de 2010

Dia 14 - Um filme que ninguém imagina que eu possa gostar - Tokyo-Ga

Eu criei uma comunidade no orkut chamada "Quando vejo Wenders, eu durmo". No entanto, eu não dormi assistindo Tokyo-Ga, por incrível que pareça.

Tokyo-Ga é um documentário em que Wim Wenders explora a sociedade japonesa paralelamente à obra do cineasta Yasujiro Ozu. Wenders passa horas andando por fliperamas japoneses, campos de golfe japoneses, fábricas de comida japonesa de plástico... Mas conseguiu prender minha atenção, não sei exatamente o porquê.

11 de maio de 2010

Dia 13 - Um filme que é um prazer com culpa - O Incrível Exército de Brancaleone

Não sei se entendi bem a pergunta, ou se traduzi direito... Esse filme é uma comédia épica de 1966 na qual um grupo de mal-acabados na Itália medieval convence um cavaleiro pobretão a reclamar terras descritas em um pedaço de documento que eles roubaram de um cavaleiro alemão. Dá pra rir alto.

10 de maio de 2010

Dia 12 - Um filme que eu odeio - Zohan: Um Agente Bom de Corte

Sinto muito, não vou perder muitas linhas falando sobre este filme.


9 de maio de 2010

Dia 11 - Um filme que mudou minha opinião sobre alguma coisa - Jogos Mortais III

Eu nunca tinha visto nenhum filme da série até minha ex me arrastar pro cinema para ver Jogos Mortais III. Não sou fã de filmes de gore e violência gratuita, e pensei que essa série fosse só sobre isso. Eu me enganei. Vi Jogos Mortais III e depois vi o IV, o V, o VI, o I e o II, e vou ver o VII logo que sair. A história me prendeu mesmo, é muito bem amarrada.


8 de maio de 2010

Dia 10 - Filme clássico favorito - Casablanca

Se você não viu ainda, faça-se um favor. Casablanca é tudo o que um filme precisa ser.

E tem a maior quantidade de frases célebres por metro de película.

7 de maio de 2010

Dia 9 - Um filme com a melhor trilha sonora - Quase Famosos

Eu não tive uma educação musical muito satisfatória. Já falei sobre isso aqui. Então, muito do que eu conheço de música foi porque ouvi alguma coisa em algum filme e gostei, fui atrás.

Um dos principais filmes que me levaram a pesquisar bandas e épocas foi Quase Famosos. Para quem não sabe, é um filme meio autobiográfico do Cameron Crowe, que quando era jovem foi contratado pela Rolling Stone para fazer um perfil de uma banda que estava despontando nas paradas, o Led Zeppelin. No filme, a banda virou Stillwater. A trilha contém Simon & Garfunkel, The Who, Yes, The Beach Boys, Rod Stewart, The Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd, Elton John, David Bowie, Cat Stevens (antes de virar Yusuf Islam) e, claro, Led.

O básico.

Aliás, o Cameron Crowe é um cara que sabe escolher música pra trilha. Vanilla Sky é praticamente o álbum Kid A do Radiohead.



Uma observação: esse filme quase perdeu nesta categoria para o filme 18.

6 de maio de 2010

Dia 8 - Um filme que já vi inúmeras vezes - Se Minha Cama Voasse

Esse é facilmente o filme que eu mais vi na minha vida.

Durante um ano, mais ou menos, e eu devia ter uns 8, eu alugava esse VHS toda vez que alguém dava a ideia de ir até a locadora. Se eu não ia junto, me perguntavam: "quer que traga dois ou só o da cama voadora?".

Não era da cama que eu gostava. Claro que seria legal ter uma cama que viaja no espaço-tempo, mas o legal mesmo era a magia da locomoção. Eu cheguei a treinar usando as palavras mágicas "treguna, mekoides, trecorum satis dee", concentrado nos meus sapatos.

5 de maio de 2010

Dia 7 - Final ou reviravolta mais surpreendente - Ilha do Medo

Admiro aquelas pessoas que sacam os filmes logo nos primeiros minutos. Admiro mas não invejo. A mãe de um amigo meu é assim, descobriu que o Bruce Willis estava morto no começo de O Sexto Sentido. Nos primeiros 10 minutos, deduziu que a Nicole Kidman e os filhos é que eram os fantasmas em Os Outros. E aí, cadê a graça de ir ao cinema?

Teve um filme recente que me enganou direitinho: Ilha do Medo, do Scorcese. Cuidado com os spoilers a partir daqui.


4 de maio de 2010

Dia 6 - Filme favorito feito para a TV - 24: Redemption

Confesso: fiquei meio perdido nesse aqui. Não acompanho tanto assim os filmes feitos para TV nos EUA, e o Brasil não faz filme pra TV (mal faz pro cinema, na verdade, e TV aqui é só novela e minissérie). Mas lembrei de um do ano passado, que só vi porque era prólogo da sétima temporada de 24 Horas.

Tenho certeza que há muitos outros melhores por aí, mas eu simplesmente não vi muitos. E gostei de 24: Redemption porque gosto da série. Foi interessante ver o filme em tempo real, como os episódios da TV. Antes de ver, eu estava curioso: será que vai ser um filme de 2 horas com 2 horas de história, ou serão 24 horas em 2 horas?


Esse foi mesmo um post meio inútil. Só pra cumprir o cronograma.

3 de maio de 2010

Dia 5 - História de amor favorita num filme - Encontros e Desencontros

Sempre brinco que se eu fosse escrever uma sinopse deste filme, em uma linha, seria: ator de meia idade não tem caso extraconjugal com jovem recém casada em Tóquio.

2 de maio de 2010

Dia 4 - Um filme que me deixa triste - Closer

Do you see, do you see
do you see how you hurt me, baby?
So I hurt you too,
then we both get so blue.

Filmes tristes, existem muitos. Acho que o mais triste que já vi até hoje, de me arrancar lágrimas do meio até o fim e de fazer crer que nunca mais vai existir felicidade no mundo, foi Dançando no Escuro. Tudo dá errado para a pobre da Selma/Björk, ela que só quer cantar e é sacaneada por todo mundo.

Mas não é desse filme que vou falar.

1 de maio de 2010

Dia 3 - Um filme que me deixa muito feliz - A Dama e o Vagabundo


Tem alguma coisa nesse filme que me deixa muito feliz. Sou um dog lover confesso, e sinto muita falta de ter um cachorro (já falei sobre meus cães aqui), e ver esse filme me faz lembrar de como é gostoso chegar em casa e sempre ter alguém feliz te esperando. Sempre. Feliz. Esperando.

E como eu rio com o Joca enterrando o osso, ou o Caco dizendo "Oh senhorita Lady", ainda mais com a voz do Orlando Drummond.

Mas o que me deixa mais feliz é, com o áudio original, cantar Bella Notte junto com o cozinheiro.



30 de abril de 2010

Dia 2 - O filme mais subestimado - (500) Dias Com Ela

Talvez a minha análise seja embaçada pelo que senti ao ver o filme. Sobre isso, você pode ler aqui. Eu vi o filme, me identifiquei com a situação, com o personagem. Por outro lado, não conheci ninguém que tenha visto este filme e não tenha gostado, de modo que quando eu afirmo que é um filme subestimado, quero dizer que ele não recebeu o reconhecimento que merecia. Para uma comédia romântica, ele é bem diferente do que vinha sendo feito.

Dia 1 - O melhor filme que vi no último ano - Bastardos Inglórios

Se eu aprendi alguma coisa na faculdade, é que o cinema tem regras. Para fazer um bom filme, o cineasta precisa conhecer estas regras. Para fazer um PUTA filme, o cineasta tem que conhecer estas regras tão bem a ponto de ousar quebrá-las.

E ninguém faz isso como o Tarantino.

Meme de cinema dos 30 dias

Vou fazer uma coisa diferente. Vou tentar, durante os próximos 30 dias, escrever um post por dia seguindo um meme que vi por aí. São 30 dias falando sobre cinema, cada dia um filme sobre o qual eu tenho uma opinião específica. "O melhor filme que vi no último ano", "o filme que mais me decepcionou", "o meu filme preferido com meu ator/atriz favorito", etc. Vai ser um desafio bom, ainda mais porque tenho férias nesse período então devo acumular alguns textos e deixar programados.

Mas vai ser divertido. Abaixo, a lista completa e a data prevista para publicação* (sim, eu fiz no Excel). Todos eles serão publicados com a tag Cine30, assim fica mais fácil para encontrar.

*O do dia 29 de abril será publicado no dia 30, porque já passou da meia-noite.

23 de abril de 2010

A mil beijos de distância

Há muitas versões para este poema, acho que o Leonard Cohen ainda o considera um trabalho em andamento. Ele recitou uma parte no show que virou DVD, e eu gostei tanto (e ouvi tanto) que me deu vontade de traduzir. Sabe como é: tradutor, traidor transcriador. Tentei manter a métrica, as rimas e o sentido, foi desafiador.
Segue a tentativa, o original (conforme recitado no show) e o video.

A mil beijos de distância
Como se eu fosse carne
você veio e me tocou.
Você teria que ser homem
pra ver como isso é bom.
Alma gêmea, de sangue irmã.
De um sonho, uma lembrança.
Quem mais me chama de manhã
a mil beijos de distância?

Amei como se abria,
como um lírio, com um sorriso.
Sou só uma estátua fria,
de pé na chuva e no granizo,
que te ama com seu amor frio,
com um corpo que se cansa.
Tudo o que sou, tudo o que fiz
a mil beijos de distância.

Você mentiu pra mim, entendo.
Traiu-me por não ter opção.
Pra estar no alto, ardendo
atrás do véu da decepção.
Atriz pornô, aristocrata,
vulgar com elegância.
Sou velho, mas sinto sua falta
a mil beijos de distância.

Eu sei amar, sei odiar,
No meio é que me engano.
Estou tentando, mas já é tarde
É tarde há muitos anos.
Você está linda, eu bem lhe disse,
Um elogio não lhe alcança.
Eu ajoelharia, se conseguisse,
A mil beijos de distância.

O outono lhe arrepiou de espanto,
obscureceu-me a vista.
A luz tem que brilhar, no entanto
não faz questão que exista.
Charada do livro do amor,
obscura e sem importância,
até ser lida com sangue e dor,
a mil beijos de distância.

Cheio de vinho, o peito protesta,
seu rosto ainda no meu.
A banda avisa: é o fim da festa;
coração não diz adeus.
Corri com Diz, cantei com Ray,
nunca soube essa dança.
Quando deixaram, eu toquei
a mil beijos de distância

Amei como se abria,
como um lírio, com um sorriso.
Sou só uma estátua fria,
de pé na chuva e no granizo,
que te ama com seu amor frio,
com um corpo que se cansa.
Tudo o que sou, tudo o que fiz
a mil beijos de distância.

Mas não me dê atenção agora.
O que digo com ânsia
depõe contra mim qualquer hora,
a mil beijos de distância.


A thousand kisses deep
You came to me this morning
and you handled me like meat.
You’d have to be a man to know
how good that feels, how sweet.
My mirrored twin, my next of kin,
I’d know you in my sleep
and who but you would take me in,
a thousand kisses deep.

I loved you when you opened
like a lily to the heat,
you see I’m just another snowman
standing in the rain and sleet,
who loved you with his frozen love,
his second hand physique,
with all he is, and all he was,
A thousand kisses deep.

I know you had to lie to me,
I know you had to cheat,
to pose all hot and high
behind the veils of shear deceit,
our perfect porn aristocrat
so elegant and cheap,
I’m old but I’m still into that,
A thousand kisses deep.

I’m good at love, I’m good at hate,
its in between I freeze.
Been working out, but its too late,
it’s been to late for years.
But you look good, you really do,
they love you on the street.
If I could move I’d kneel for you,
a thousand kisses deep.

The autumn moved across your skin,
got something in my eye,
a light that doesn’t need to live,
and doesn’t need to die.
A riddle in the book of love,
obscure and obsolete,
until witnessed there in time and blood,
A thousand kisses deep.

And I'm still working with the wine,
still dancing cheek to cheek,
the band is playing Auld Lang Syne,
but the heart will not retreat.
I ran with Diz and I sang with Ray,
I never had their sweep,
but once or twice they let me play
A thousand kisses deep.

I loved you when you opened
like a lily to the heat,
y'see I'm just another snowman
standing in the rain and sleet,
who loved you with his frozen love,
his second hand physique,
with all he is, and all he was,
A thousand kisses deep.

But you don’t need to hear me now,
and every word I speak,
it counts against me anyhow,
A thousand kisses deep.

24 de fevereiro de 2010

Porque me tornei vegetariano

The Dawn of Vegetarianism: Lisa Simpson and the Lamb and some Lamb Chops
Em 1 de fevereiro de 2010, eu me tornei vegetariano.

Desde então, ouço quase diariamente a perguntas como "por quê?" e "mas nem peixe?"

A resposta mais simples para a primeira é que isso é algo em que eu já estou pensando há muito tempo, já vinha tentando aos poucos, aí conversei com algumas pessoas, li algumas coisas e decidi.

O que eu não disse é O QUE eu tenho lido. Não quero ser um daqueles vegetarianos chatos que tentam converter o mundo ao vegetarianismo. Sinto que não é assim que funciona, porque quando eu comia carne eu conheci desses vegetarianos e eles não me convenceram. Ninguém vira vegetariano por pressão.

O outro lado disso são os onívoros que tentam convencer os vegetarianos a comer carne. Pela minha experiência, são mais chatos que os anteriores. Vegetarianismo é normalmente uma opção consciente, então um onívoro tentar desconverter um vegetariano é perda de tempo.

Então, nesses casos, eu explico os motivos reais.

Eu não acho errado comer carne. Eu não deixei de gostar de carne. Eu não me arrependo de ter comido carne durante 25 anos da minha vida. Várias vezes eu já me peguei pensando na vaquinha, no porquinho, na galinha e no peixinho, em como eles são animaizinhos tão fofos, inteligentes e sensíveis à dor quanto o meu gato ou o meu vizinho. E pensei: por que comemos vaca e não comemos gato? Só porque o peixe não grita ele não sente dor? Porque é ok pescar um peixe e matá-lo asfixiado, mas essa não é a prática aceitável para abater uma vaca?

Não foi o argumento da crueldade que me convenceu. Talvez pela minha ignorância dos métodos utilizados - já li, já vi videos, mas uma parte de mim faz questão de esquecer isso, e acho até bom. A dor existe para todos os seres vivos e é inevitável, assim como a morte. Acontece na natureza. O salmão come os peixes menores, o urso come o salmão. Já ouvi dizerem que o ser humano foi dotado de uma inteligência superior e de polegares opositores para ter controle sobre os outros animais, porque é superior a eles. Mas note: o ser humano não precisa comer os outros animais. É possível sobreviver sem carne. Ao optar por comê-los, portanto, o ser humano torna-se mais um elo na cadeia alimentar. Não se mostra superior aos outros animais, mas igual a eles. O salmão come os peixes menores, o ser humano come o salmão. (Esse é o ponto em que discordo do Jonathan Safran Foer, que escreveu Eating Animals. Ele acha que comer carne é um reflexo da negação da sua própria natureza animal. Eu acho que, comendo carne, nós involuntariamente nos colocamos no mesmo nível deles.)

Se não foi o argumento da crueldade que me convenceu, sobram dois: meio ambiente e saúde. Sobre o primeiro, vale a pena ler o post de hoje no blog do Guardian sobre o assunto. Resumão dos dados:


  • A pecuária produz mais gases de efeito estufa do que todos os trens, carros, caminhões, navios e aviões do mundo juntos. Sim, estamos falando de peido de vaca, mas não só disso. A agricultura animal é responsável por 37% do metano, que é 23 vezes mais perigoso para o aquecimento global do que o CO2, e 65% do óxido nitroso, 296 vezes mais perigoso para o aquecimento global do que o CO2.
  • Os recursos consumidos por um onívoro médio em busca de proteína animal poderiam nutrir até 10 vegetarianos.
  • Isso sem falar no impacto do processamento e do transporte da carne que chega até a sua mesa.
  • Peixe: o peixe mais consumido no mundo é o atum. Na pesca industrial do atum, 145 espécies de animais acabam caindo nas redes de forma secundária. Morrem e são jogadas de volta para o mar. São outras espécies de peixes, arraias, tubarões, enguias, alguns mamíferos e algumas aves marinhas. Estima-se que, de cada 10 atuns, tubarões ou outras espécies de peixes predatórios que viviam nos oceanos há 50 ou 100 anos atrás, hoje em dia resta apenas 1.
  • Camarões: verdade, muitos são criados em cativeiro (50% dos peixes e frutos do mar consumidos hoje são de aquacultura). Há casos de fazendas de camarão que destroem ecossistemas importantes, como os manguezais, mas não vou generalizar. No caso dos camarões pescados diretamente do mar, para cada quilo que chega à nossa mesa, até 26 quilos de outros animais marinhos foram mortos e jogados de volta no mar.
  • Salmão: para criar em cativeiro, é necessário de 3 a 5 quilos de outros peixes para produzir 1 quilo de salmão.
Para cada um desses argumentos deve haver outro para rebater. A cultura de soja desmata a Amazônia, os agrotóxicos poluem, os transgênicos fazem mal. Há quem negue que o aquecimento global seja causado pelo ser humano, e há quem diga que é parte de um ciclo natural do planeta. Não é um assunto simples. Mas, por via das dúvidas, vou fazer a minha parte.

Não é um sacrifício tão grande assim. Com a mudança de dieta, comecei a descobrir novos alimentos e a prestar mais atenção no que eu como. Antes eu comia qualquer coisa, sem pensar por um minuto se eu realmente precisava daquilo ou se me faria bem. Agora, tomo mais cuidado com o que coloco no meu prato, tentando sempre compensar a falta de proteína animal com outras fontes de proteína - soja, laticínios, feijões, brotos. Agora que sei que eu preciso de cerca de 50g de proteína por dia, aqueles hambúrgueres de 150g me parecem um exagero. E não é um sacrifício grande. Se você parar para pensar, vai ver que mais de 80% das coisas que você come não contém carne, ou poderiam não conter.

A carne, especialmente no Brasil, é um produto banal. Está disponível em uma quantidade muito maior do que a que nós precisamos. Antigamente, para se obter carne, era preciso caçar um antílope ou matar uma galinha. Não era todo mundo que comia carne todo dia. Carne era praticamente um artigo de luxo. De lá para cá, as nossas necessidades nutricionais não mudaram muito. Nós continuamos não precisando de toda essa carne que nos é oferecida. Eu optei por não comer mais, mas acho que qualquer esforço para reduzir a quantidade também é válido.

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13 de janeiro de 2010

Reciclar é viver

Acho que vocês se lembram dos problemas que tive com a Vivo, mas não cheguei a contar aqui os problemas que tive com a Claro.

Entre os desencontros que eles me fizeram passar estava o meu cartão Claro Clube, que foi enviado meses depois que eu solicitei o cancelamento da linha.

Finalmente encontrei uma utilidade para ele!

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12 de janeiro de 2010

Amigos novos e a gentileza de estranhos

 

All in all it’s been a pretty good year

Para tirar o pó do blog, vou começar o ano com um post que está na minha cabeça desde novembro.

Na verdade, eu deveria ter pensado em escrevê-lo em 8 de agosto, pelo menos.

Mas só pensei em 7 de novembro, mas refleti: se eu escrever agora, vou ter que editá-lo em 28 de novembro. Então depois eu escrevo.

Mas não escrevi, continuei procrastinando, que é o que faço melhor, até agora. Porque agora não deu pra não escrever.

Se uma coisa boa aconteceu em 2009, foi a quantidade de pessoas legais que conheci. Com destaque para as da internet. Especialmente as do twitter e de blogs amigos (e que sempre aparecem por aqui).

Na ordem:

  • 8 de agosto: Talita (@suamaeehhomem), Giu (@giugramani), Marina (@maguima), no Exquisito. Tudo começou por causa da Natalia (@nataliamaximo), que trabalha comigo e conhece a Talita da faculdade. Foi divertidíssimo, e por causa delas ainda fui ao aniversário do @zeto83, e todos eles (menos a Talita) foram no meu.

22189540Marina, Talita e Giu. A Stella (@hvezda) também estava lá, mas se eu postar a foto em que ela aparece ela me mata

  • 5 de novembro: a Mayra (@congeminemos) veio para São Paulo ver o Planeta Terra. Por meio dela conheci o Fellipe (@fvernon). Orgias gastronômicas com escondidinho de abóbora, camarões, torta de maçã, pizza e muffin de pêra se seguiram. Eu me animei a ir ao Terra também, no dia 7. Comprei o ingresso da @suamaeehhomem, que tinha desistido.

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  • Lá no Terra encontrei a Caroline (@auslanderin), que ainda revi no dia seguinte, no Outback, onde conheci também a Anne (@annediesel) e o Rafael (@rafaelprince), e mais uma galera sem arroba. Povo divertidíssimo.

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  • No final de novembro foi a vez da Tatiani (@lucindaa), que veio de Foz pra encontrar com o Alex (@alesqui), e da Joyce (@jpfrimer), que veio de Anápolis. No dia 28 fizemos um passeio bacana com o povo do CouchSurfing, que foi onde conheci muitas pessoas legais, entre as quais a Janete (que não vai ler isso mas é a mais legal que conheci por lá até agora). Ainda arrastei a @jpfrimer pros Hash House Harriers na semana seguinte.

IMG_4072Alex, Tati, Joyce e eu 

  • Mas a cereja do bolo foi uma pessoa que nem conheci pessoalmente ainda, mas que atendeu a um pedido desesperado feito pelo twitter…

Agenda

A Hianna (@hianna) me mandou essa agenda aí, diretamente do cerrado infestado de cigarras que é Brasília. Chegou hoje à tarde pelo correio. Justamente o que eu precisava para organizar os meus dias. Sim, sou meio old school pra certas coisas. Em plena era digital, descobri no ano passado que pra me organizar preciso de uma agenda de papel.

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Aí eu vou dizer: fiquei emocionado mesmo. Nas décadas passadas dizia-se que a internet afastava as pessoas. Estou vendo que é o contrário. E esse negócio de gentileza entre estranhos (ou pelo menos gente que não se conhece pessoalmente) é uma coisa que me toca. Hoje fui a um café na Vila Madalena, o Ekoa, em que você pode deixar um café pago para alguém, junto com um bilhete. Eu tomei um café de graça, cortesia do José, de Buenos Aires. A Fernanda (@fernandaiema) pagou dois, um em meu nome e um no dela, para alguém que passar por lá.

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Já fez uma gentileza para um estranho aleatório? Deixou um livro no banco do ônibus com um recado, ou ligou pra um número aleatório e cantou A Whole New World? Compartilhe.

PS: Outra pessoa incrível que conheci esse ano foi Ela, em junho. Acho que não cabe contar essa história aqui, mas queria pelo menos deixar registrado.